Falar de ética e cidadania não é tarefa fácil, porque se pode resvalar num discurso repleto de ufanismo, pensando que pelo simples fato de deter o conhecimento e do consenso sobre a necessidade da ética e da cidadania, possa por si só alcançar grandes transformações e trazer novas esperanças para a humanidade; ou, ao contrário, pode-se trilhar um caminho carregado de desesperança e resignação ante o poder político e econômico.
Mas não se pode fugir ao problema.
Hqoz (ethos) que significa morada do homem, morada do animal: covil, caverna, hqoz que dá o sentido de abrigo protetor, o homem encontra um estilo de vida e de ação no espaço do mundo.
Acostuma-se com sua morada. Daí vem o costume, mas esta morada é passível de perfectilidade, de aperfeiçoamento.
O outro vocábulo eqoz (ethos), significa comportamento que resulta de um repetir os mesmo atos – uma constante que manifesta o costume, o ato do indivíduo – tem-se aí o hábito.
Tanto costume quanto hábito são construídos.
Estes dois vocábulos levam-nos a perceber que o espaço ético humano instaura-se no reino da contingência (isto é, naquilo possível, naquilo que pode ser necessário, ou naquilo livre e imprevisível, porque se dá dentro de possibilidades e probabilidades); enquanto que, a natureza está no domínio da necessidade, porque ela é necessidade dada, sempre a sucessão do mesmo.
- Produzir alegria, prazer e felicidade.
Democracia
Diálogo
Contrato Social (Hobbes, Rousseau) = Consenso = Justiça.
Kant (Ser humano é um fim em si mesmo).
- Paradigma da lei natural (a referência é a natureza).
- Paradigma da lei positivada. (a referência são as leis escritas).
2. A necessidade de uma analise crítica e histórica da realidade política, econômica e social quando do exercício profissional e tomada de decisões, considerando sempre as relações de poder em que se desenvolve o trabalho;
Possibilidade de acesso da população aos recursos da psicologia e
Necessidade de aperfeiçoamento técnico constante do profissional, como parte do exercício profissional digno.
Destaca-se o item 2 (dois) por representar a visão crítica que se pretende vincular à atuação ética profissional.
Também se cuidou, na estruturação do novo Código, que ele pudesse estar orientando o profissional que atua em qualquer área da psicologia. Assim, o termo paciente, característico da área clínica, foi substituído por usuário, aquele que se submete a uma intervenção psicológica. Já o termo beneficiário foi introduzido como aquele que se beneficia do trabalho da psicologia que, por exemplo, tanto pode ser o usuário quanto o operador do direito, no caso da psicologia jurídica.
Em resumo, o atual Código de Ética Profissional do Psicólogo buscou:
b. Abrir espaço para a discussão, pelo psicólogo, dos limites e interseções relativos aos direitos individuais e coletivos, questão crucial para as relações que estabelece com a sociedade, os colegas de profissão e os usuários ou beneficiários dos seus serviços.
c. Contemplar a diversidade que configura o exercício da profissão e a crescente inserção do psicólogo em contextos institucionais e em equipes multiprofissionais.
d. Estimular reflexões que considerem a profissão como um todo e não em suas práticas particulares, uma vez que os principais dilemas éticos não se restringem a práticas específicas e surgem em quaisquer contextos de atuação.
Resumidamente, defende Guareschi, citando Pegoraro e Aristóteles, que a “ética é justiça” e que “Há justiça quando os direitos das pessoas são respeitados” (pg. 23).
A “regra de ouro” seria: Faças aos outros o que desejas que te façam”; a “regra de prata”: Não faças aos outros o que não desejas que te façam; a ”regra de bronze”: Faças aos outros o que te fazem; e a “regra de ferro”: Faças aos outros o que quiseres, antes que te façam o mesmo.
CIDADANIA
Ninguém nasce cidadão, mas torna-se cidadão pela educação. Porque a educação atualiza a inclinação potencial e natural dos homens à vida comunitária ou social.
Cidadania é, nesse sentido, um processo. Processo que começou nos primórdios da humanidade e que se efetiva através do conhecimento e conquista dos direitos humanos, não como algo pronto, acabado; mas, como aquilo que se constrói.
Por isto, tanto o apelo pela ética pensada na emergência do sujeito ético, e não simplesmente em códigos de ética; quanto, a necessidade de ações de cidadania, que busquem concretizar direitos são os modos mais eficazes e eficientes, nos dias de hoje, para que a comunidade política possa ser o lugar privilegiado da autonomia e autorealização dos indivíduos e da própria comunidade.
Depreende-se, então que se faz necessário ter uma consciência individual para que se possa ser responsável socialmente. Em outras palavras, a responsabilidade individual é que vai garantir uma ética, fundada em princípios e valores que norteiem o viver em comunidade.
Entretanto, não podemos pensar que é o sujeito moral imiscuído na sua individualidade, que irá fundar uma ética. Pois, neste caso, o que pode ser moral para um, pode não ser imoral para outro.
Então, é preciso fundar a responsabilidade individual numa ética construída e instituída tendo em mira o bem comum, ou seja, visando a formação do sujeito ético, porque aí é possível a síntese entre ética e cidadania, no qual possa prevalecer muito mais uma ética de princípios, do que uma ética do dever. Ou seja, a responsabilidade individual deverá ser portadora de princípios e não de interesses particulares.
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