Brasil: A perspectiva ofende *
“Não é uma mentira, se você acreditar nela”
(George
Constanza)
Me era dito que deveria estudar, pois o estudo
me daria condições de crescer e vencer; não existia aprovação continuada
automática: quem não estudava, reprovava e repetia o ano. Era assim...
Este modelo é uma base arcaica do sistema meritório. Sim, mérito, palavrinha tão esquecida
hoje e, de certa maneira, criticada. Afinal, mérito depende do “fundamento”, da
capacidade que a pessoa tem para progredir em sua vida.
Estudava, passava. Conhece, estuda, tem a
capacidade prática, consegue o desejado emprego. Adquire novas habilidades,
aprofunda e refina sua práxis, sobe na carreira, tornando-se gerente, diretor,
etc.
Mas, como sói acontece, a ideia da mais-valia
impera no Brasil. A excrescência enjeitada por Marx e seus seguidores é
aplicada no país. Veja só.
Eugen Von Böhm-Baverk (a teoria da exploração
do socialismo-comunismo, 2013) diz que “para
alguém ganhar mais, alguém tem que necessariamente ganhar menos”.
E não é isso que vemos? Veja no quadro atual de
seu emprego: para muitos terem a dita “oportunidade”, outros muitos ficam sem
os serviços que deveriam ser prestados. Ou é só a corrupção a mãe de todos os
males?
Pense uma coisa: você mora ali no Parolin. Sua
rua é de antipó e não possui coleta de esgoto ofertada pela Sanepar. Ainda, o
ônibus que você precisa utilizar passa a três quadras de sua casa, que, aliás,
não é averbada e registrada, pois é fruto de uma invasão.
Pois bem. O proprietário do terreno onde você
está “perdeu” o bem que ele tinha, pois até conseguir retirar você dali, muito
tempo se passará e muitos recursos serão consumidos.
Recursos próprios do proprietário e outros
tantos do Estado. Sim, do Estado, que irá usar milhares de reais para tentar
resolver este problema ao invés de aplicar estes recursos em saneamento,
construção de moradias, sistemas de transporte, etc.
Mas você acha a mais-valia, a visão “de
esquerda” ser a correta. Afinal, recursos financeiros são infinitos...
E o proprietário, o “de direita”, que explora o
operário, ahhhh, esse sacana! Ele passa todo dia na frente do imóvel e mostra
que está armado, fruto desta política destrambelhada do atual governante de
plantão.
Pouco importa se ele pagou R$ 50.000,00 no
terreno que ele possuía. Pouco importa se ele gastou outros tantos pagando
impostos sobre isso. Pouco importa o investimento que ele fez comprando o
terreno para, em algum dia, construir. Ele não destinou seu imóvel à “função
social”, não é mesmo?
Coisas complicadas neste país! Ser de “direita”
é visar à propriedade privada. Ser “de esquerda” é visar à função social. Ledo
engano, não é mesmo?
Marx dizia que o patrão paga ao empregado menos
do que o seu trabalho vale de verdade, e essa diferença, a mais-valia, vai
sendo somada, de modo que o patrão acaba lucrando a soma de todas as
mais-valias de seus empregados. Será?
A mentira maior apregoada pelos arautos
brasileiros que se denominam “de esquerda”, corrompem o sentido da verdade,
como se ela não existisse e nada fosse real.
A riqueza é criada no dinamismo do mercado. Ou
você dirá que EUA, Alemanha, Suíça, por exemplo, agem ao contrário? Heranças
dos princípios judaico-cristãos na formação das leis modernas, das liberdades e
dos direitos. Ou alguém imagina que uma civilização partisse dos valores
marxistas? Democracia é interação, não uma estrutura...
No Brasil tentam isso, fazer como base de uma
sociedade os valores apregoados por Marx e seguidores. Querem ver?
- “Não se pode mais usar “pai” e mãe”. Crianças
que não os tem sentem-se constrangidas;
- Não use todo ou toda. O correto é todes....
Se assim é, então devemos proibir que se
atribuam notas aos estudantes, pois os que não conseguem obter nota
satisfatória sentem-se constrangidos; vamos proibir a venda de carros como
Porsche e Ferrari, pois quem não consegue ter um destes, fica constrangido;
proibamos os programas de humor, pois os depressivos ficam constrangidos....
O pretexto da proteção dos “menos válidos” gera
pessoas menos válidas. Afinal, criar dor serve como mecanismo de controle.
Mas, estamos em uma democracia, não é mesmo? A
maioria escolhe e a minoria obedece!
E por democracia entende-se que é um sistema
político no qual a influência da maioria é assegurada por minorias eletivas e
concorrentes às quais ela é confiada. Destruir a “linha divisória” entre Estado
e Sociedade é totalitarismo.
Na Constituição diz que somos um país
democrático. É uma grande mentira.
Democracia não combina com obrigatoriedade de
voto. Não combina com sistema proporcional (onde um puxador de votos elege
outros que não tiveram votos). Não combina com conchavos espúrios entre eternos
candidatos. Instituições não podem fazer pelos homens o que os homens não podem
fazer para si mesmos.
Dados de 2013 (datafolha) revelava que 30% dos
brasileiros eram de perfil ideológico de esquerda. E isso quer dizer que os
outros 70% são de direita? Não necessariamente... Podem ser conservadores!
E o brasileiro é conservador (quase 100%) com
certeza! Afinal, conservador é aquele que acredita que é possível operar no
sistema político-social em que vive através de pequenas mudanças, que em seu
conjunto no tempo acabam por transformar esse mesmo sistema desde dentro,
caracterizando um perfil de evolução histórica. Não é a cara de todos nós
brasileiros? E a história é um cemitério de valores.
O conceito de direita e esquerda remonta à
época da Revolução Francesa. O rei convocou uma Assembleia e os que defendiam
uma ruptura completa do sistema atual sentaram-se à esquerda do rei (eram os
representantes do povo). Os que defendiam a manutenção da monarquia, mas com
reformas internas, sentaram-se à direita do rei.
Os representantes do povo, que estavam sentados
à esquerda do rei, dissolveram a assembleia e provocaram a Revolução, acabando
com a monarquia na França. Com isso, instituiu-se a República, com dois
partidos dominantes: girondinos (sentavam à direita na nova assembleia e eram
de posição mais conservadora) e jacobinos (sentavam-se à esquerda na nova
assembleia e defendiam o aprofundamento da revolução, sendo mais radicais).
Pelos usos e costumes então, tem-se que a
posição em que o político sentava-se definia sua orientação ideológica: do lado
direito, conservadores, do lado esquerdo, revolucionários. Ressalte-se que as
ideologias não surgiram na Revolução Francesa, mas receberam seus nomes em
virtude desta.
Ainda, bom ressaltar que os revolucionários
depositavam sua fé na capacidade e bondade do homem (pensamento iluminista
humanista), o que tornava possível, ao menos em teoria, criar sistemas de
governos mais justos, em que um Estado mais atuante pudesse regular a economia,
defender as minorias e estabelecer a justiça social.
Os conservadores eram mais realistas, pois
desconfiavam de qualquer governo que acumulasse muitas funções, pois este
governo poderia abusar de seu poder, acabando por se tornar totalitário.
Lembremo-nos que somente uma minoria pode promover a tirania.
Por isso hoje vemos os “de esquerda” defendendo
o Estado máximo, que “cuide” das pessoas, defenda as minorias a qualquer preço,
interfira na economia com regras pesadas, enquanto os “de direita” defendem o
Estado mínimo, com menor carga de impostos, pouca intervenção na economia e
liberdades preservadas ao máximo. Desejavam uma “isocracia” (poder igual)?
Vemos alguns modelos de aplicabilidade atual:
Cuba, Coréia do Norte, no lado dos “esquerdas” e Estados Unidos da América, no
lado dos “direitas”.
“Em política, a
comunhão de ódios é quase sempre a base das amizades”.
(Charles Tocqueville).
Vejam só, Tocqueville continua atual, em se
tratando de Brasil.
Após os anos de governos militares, Sarney
assumiu a Presidência. Ele era, por anos a fio, bajulador dos militares. Virou
odiado, assumiu o poder.
Na eleição em 1989, um “outsider” (nem tanto,
pois frequentou o Legislativo por anos) foi eleito Collor. O fenômeno repete-se
posteriormente com Bolsonaro (28 anos deputado federal).
No entremeio, uma polarização PT-PSDB: FHC,
Lula, Serra, Dilma... A comunhão de ódios (fabricados pelos jornalões, pois
nunca existiu) selou a amizade. Lula e FHC sempre foram do mesmo campo
ideológico. Basta ver as fotos de época onde os dois panfletavam nas portas de
fábricas e universidades. FHC foi mais para o lado intelectual, tornando-se
professor. Lula continuou no lado mais prático, fabril mesmo. Mas ambos, do
mesmo espectro ideológico.
O PSDB adepto do socialismo Fabiano, não adepto
de movimentos revolucionários, coisa que o PT aprendeu a fazer também,
abandonando a famosa “luta operária”. Esta parte ficou a cargo de Psol, Pstu e
outros partidos nanicos.
Insta ressaltar a fala do próprio Lula em 2006:
não há representantes de partidos de direita nesta eleição, finalmente!
Pejorativamente ele havia dito: “os trogloditas de direita”. Expressão esta que
voltou a utilizar em 2019, na ascensão de Bolsonaro à Presidência, e repetido à
exaustão no ano de 2025.
Desta forma, na “democracia brasileira”, os
sentidos de direita e de esquerda perderam-se no emaranhado histórico de
mesclas políticas. Tom Jobim cunhou uma célebre frase: “O Brasil não é para
amadores”.
Extrema verdade.
Quem diria que, alcunhado de liberal e de
direita, FHC editaria regras pesadas na economia, interferiria sobremaneira nas
liberdades sociais?
Quem diria que, Lula, o esquerdista-mor,
representante máximo da ideologia (na cabeça dos brasileiros ignóbeis),
liberaria a economia de tantas amarras, privatizaria redes de distribuição
petrolífera?
Tudo invertido, meu deus do céu! Não é possível
assim estudar ideologicamente um projeto de governo. Quando nós abdicamos da
nossa responsabilidade em manter os “mitos” nos seus próprios limites, somos
apenas publico: público não tem opinião. E, pior, quando nos transformamos em
“eleitor”: eleitor não age. Reage. É apenas convocado para decidir questões que
nada sabe. É incompetente, afinal, voto sem livre escolha é renúncia à
soberania.
Socialismo, capitalismo, esquerdista,
direitista, troglodita... os ismos e istas se perdem neste país tão complicado,
que não é para amadores mesmo! Creio que Keynes e Marx, se tivessem nascido e
se desenvolvido aqui logo refutariam todas suas ideias.
Em que país do mundo que se diz democrático e
de Estado Democrático você convive com “manias” do ideário liberal e do ideal
socialista, ao mesmo tempo e na mesma hora?
Comprar um carro você pode, desde que ateste
sua firma em cartório! Ter um imóvel você pode, mas desde que pague a taxa
anual de sua propriedade! Emprego você pode ter, mas tem que pagar taxas para
manter o sistema de aposentadoria, sua e de outros, o sistema S (SESI, SENAI,
senca, etc.) o FGTS, o PIS, COFINS, e a infinidade de sopa de letrinhas que lhe
tira os trocados existentes!
Dever não é prescrição moral, afinal.
Isto aqui não é uma democracia! Isto aqui não é
um país “de direita”! Isto aqui não é um país “de esquerda”!
Muito menos os políticos brasileiros, seja em
quem espectro eles se autodenominem, se encaixam em alguma dessas definições.
Marighella talvez pudesse ser nomeado de
jacobino, de socialista, de esquerda. Talvez... se tivesse preocupação com as
minorias.
Paulo Freire poderia ser chamado de marxista,
se, ao invés de ficar preso ao chavão das “lutas de classes”, se preocupasse
com a real aprendizagem daquilo que é necessário: língua portuguesa,
interpretação de texto, matemática, e por aí afora...
São posers abrasileirados... alguém que finge
ser algo que não é. Demonstram, falam, gritam, mas a prática é inversa àquilo
que pregam.
“Pensar é fácil. Agir é
difícil. Agir conforme o que pensamos, isso ainda o é mais”. (Goethe)
O Estado deveria ser o fundamento – todo
fundamento – devendo ser a base do funcionamento político.
O Governo – este sim, ideológico – pode agir
conforme sua ideologia.
Mas, como é no Brasil, confunde-se o que é
Estado e o que é Governo. Torna-se um ou outro centro da ideologia ou do
fundamento.
E, quando isto tudo se mistura, a que nome se
dá?
Os “intelligentsia”, os posers chamam de
“Presidencialismo de coalizão”. Um eufemismo utilizado para definir a posse do
bem público pelos afortunados discursantes da direita e da esquerda brasileira.
Pouco importa, desde que tudo fique com os mandantes de plantão. É a “centralização democrática”, lema de
Lenin, o ditador russo.
Combina-se a suposta alternância! Combina-se o
suposto ódio já falado por Tocqueville. E o povo continua na sua saga de
defender sua cor preferida, cego pelos escambos que acontecem nos salões do
poder.
Relembre duas cenas, que você viveu, ou já
ouviu falar ou se noticiar: Requião e Álvaro brigam na campanha para
Governador; jantavam juntos dois dias depois do resultado, ganho por Requião,
às gargalhadas no antigo Restaurante Edvino.
Lula e Alckmin se chamaram dos piores adjetivos
possíveis na eleição de 2002 ou 2006, não me lembro direito do ano.... Em 2022,
juntos e unidos, na “cena do crime” novamente.
Bolsonaro é odiado e desprezado pelo discurso
lulista... mas serve bem aos interesses políticos de ambos quando,
utilizando-se de “terceiros”, escolhe um Partido político que transita entre os
dois “espectros”: lulistas e bolsonaristas. A ponte está criada, armada e os
poderosos transitarão por ela.
E o povo, a acreditar que a comunhão de ódios
afasta a política e os políticos....
“Não
importa a cor do gato, se ele apanhar o rato, é um bom gato”.
Provérbio chinês
Devemos esquecer a ideologia e introduzir o que
funciona na prática. Vide o exemplo chinês, com sua economia de mercado. É a
prova de que o modelo com ideias socialistas não funciona. Quando adotaram o
capitalismo, a criação de riqueza aconteceu.
Mas qual modelo de capitalismo é o mais
eficiente? O modelo americano ou o modelo europeu, mais intervencionista?
Lembro-me da crise de 2006, 2008, quando
Sarkozy, seguido por Lula, afirmou que o excesso de liberalismo, o
individualismo, a falta de ética são à base da crise... e pregou mais regulação
estatal na economia.
Só para lembrar que, historicamente, as mais
espetaculares fases de crescimento mundial se deram sob a égide de práticas
mais liberais, e liberais no sentido europeu. Mesmo com as desigualdades
existentes, a vida melhorou para quase todos. É só olhar os números.
“O ritmo
e a rapidez do crescimento são mais importantes do que o problema de
redistribuição, até mesmo para o não privilegiado”. (Sartori, G. Teoria
democrática).
Exemplificando a frase acima, podemos usar o
exemplo de um bolo. O tamanho do bolo é do interesse da economia, o corte –
isto é, a distribuição, concerne à política. E, repare também que a alta da
produção não acompanha o crescimento populacional (em algumas regiões, o
consumo de alimentos é mais baixo do que há vinte anos).
E veja um dado, que destrói os críticos
“brasileiros” a respeito do capitalismo e do, vá lá, sistema “liberal”: Nos
EUA, num ano financeiramente ruim, vendem-se 500 mil casas novas. No Brasil,
por exemplo, em 2008 (ano da comparação), se venderam 280 mil casas. E olha que
a população brasileira equivale a dois terços da americana... Então, qual
sistema é melhor? Aquele que empresta dinheiro para 1 milhão de famílias
comprarem suas casas novas ou um sistema que empresta para 250 mil famílias?
Economia. Sim, é a economia, estúpido! Para
utilizar de um lema bem americano... rs
E veja que o povo, no Brasil, adota o modelo
“liberal”, de livre-mercado. Veja o exemplo do que existia em São Paulo, os
“marreteiros”, àqueles que compravam o VT a 1,70 e revendiam a 2,00, mesmo
quando a passagem custava 2,30. E porque faziam isso? Porque perdiam dinheiro?
Oras, não perdiam. Eles compravam de alguém que recebia esses VT e não usava
(lembre-se que uma lei obrigava toda empresa a pagar VT). A lei da oferta e
demanda claramente expressada aqui! Modelo liberal....
E veja que o “vendedor” era obrigado a comprar
a banca (ponto de instalação perto das entradas de Metrô). E como ocorria isso?
Sem papel, sem burocracia, apenas no fio de bigode.
Teve vendedor que chegava a faturar 12, 15 mil
reais. Mas a festa liberal acabou quando introduziram o bilhete único
eletrônico. Outros modelos pipocam pelo país, a exemplo de lans house de
antigamente, ou de games house de hoje em dia. Empreendedorismo puro.
No modelo mais “socialista”, os exemplos acima
não seriam possível. Imagine que o governo licitasse computadores, contratasse
funcionários para gerir o negócio? Só aí o custo já seria inviável.
O modelo brasileiro também não funciona a
contento. Veja a história.
Um Governo deve existir para fazer o bem. No
Brasil, não se faz o bem e ainda se rouba o bem.
Na década de 60, falava-se muito em fisiologia,
a prática de ocupar espaços no governo com o objetivo de obter vantagens
pessoais. Hoje, se fala em ideologia, onde se chega ao governo para aplicar
determinado programa.
Não há semelhança? Claramente, sim. Vejam a
Petrobrás: empresa de economia-mista, onde o Presidente é indicado pelo
acionista majoritário (Governo) e os demais cargos DEVERIAM ser de técnicos e
executivos preparados e capacitados. Ora, indicado o presidente da empresa que
reza pela cartilha do governante de plantão, logicamente que as decisões serão
todas... ideológicas! Ou fisiológicas! Petrolão está aí para provar. As
atitudes do governo atual estão aí para demonstrar.
O modelo brasileiro é, sobremaneira, sui generis: diz que é capitalista, mas
usa todos os instrumentos do modelo socialista. Mesmo quando diz, timidamente,
que é um governo socialdemocrata, usa todas as práticas do... liberalismo!
Quantos cargos existem a preencher por
indicação política? China, Cuba, Venezuela, Brasil... Quantos existem nos EUA,
na Alemanha?
Começa financiando obras, parte para financiar
o partido e termina financiando “amigos”, contemplados com empregos, obras e
facilidades. Não é a cara do Brasil? Quando uma empresa recebe qualquer
vantagem por causa de suas boas relações com o governo – e com o partido do
governo – isso elimina a base da livre concorrência. Isso mata o
empreendedorismo.
Então, pouco importa ser “de direita ou de
esquerda”. A esquerda revolucionária já se comprovou ineficaz. A esquerda
reformista inventou o Estado do Bem-estar e a socialdemocracia: estatização de
setores econômicos tidos como estratégicos, proteção a empresas nacionais e por
aí vai. Lembra-se da ideia da década de 90, com a proteção da informática
brasileira? Existe ainda a empresa Cobra computadores?
Quando se aumenta a presença do Estado na
economia, ocorre, indubitavelmente, o aumento de impostos, para financiar os
serviços que devem ser prestados. 2025 está aí para quem quiser refutar....(contém ironia)
Capitalismo reformado ou capitalismo liberal? O
que se espera? Chega-se ao modelo “de centro”. No Brasil, corrompe-se até isso:
cria-se o “centrão”.
O aumento de impostos eleva a carga tributária.
Com isso, aumenta o déficit público, cria-se inflação, destroem-se as
atividades básicas da economia.
A retórica da “direita e da esquerda
brasileiras” é ótima. Ganhariam concursos em primeiro lugar. Veja só a
história: com o discurso de desmontar o Estado excessivo e abrir a economia,
elegemos Collor. Com o discurso (apenas discurso) de modelo liberal, elegemos
FHC (advindo da esquerda e da socialdemocracia). Cansamos do discurso liberal,
elegemos Lula (discurso socialista, prática nem tanto).
Portanto, entramos em ondas de mais Estado ou
menos Estado. Mas permanecemos com a mesma filosofia: o Estado serve à elite
política! (bem a cara do socialismo, não é mesmo?)
De liberal, temos arremedos de práticas.
E veja que adotamos as práticas de um ou de
outro “sistema” nos costumes; alguns governos sustentaram a economia de
livre-mercado, com menor intervenção na economia (só no discurso): continuaram
exigindo o reconhecimento de firma, o pagamento de IPTU e outras taxas, bem no
modelo intervencionista.
Nos EUA, pátria do liberalismo, ser liberal
significa ser democrata – abertos e progressistas nas questões morais e
sociais, mas favoráveis à intervenção do Estado na economia para controlar as
falhas de mercado. Já ser republicano é ser conservador, favorável a liberdade
individual na moral nos costumes e na economia.
No Brasil, ninguém é de “direita”, porque isso
se relaciona com a ditadura militar, mas apenas na política e na moral. E veja
que a ditadura foi amplamente estatizante (modelo socialista). Então, a
ditadura foi de esquerda quando tratava de economia, e de direita, quando
tratava de costumes... contradições brasileiras.
Atualmente, período pós-Bolsonaro, muitos já se
identificam como “direita”, apesar de que a mídia rotula estes de
extrema-direita.
Lula, quando governava, era de esquerda no
discurso, e de direita na prática. Analise o período dele enquanto governante:
discurso “social”, pró-gênero neutro, pregando a intervenção econômica. Na
prática, liberou algumas amarras cartoriais, quando permitiu a livre
concorrência em áreas tidas como estratégicas para o Estado. Foi um grande
fiador de investimentos privados, mais até que Ernesto Geisel, tido como
direitista. Vá entender, o Brasil não é para amadores!
É um neoliberalismo de esquerda então o que
surge neste país!
Quando FHC governava, o ajuste de contas
públicas a reforma da previdência era neoliberal de direita. Quando Lula
governava, o ajuste de contas públicas e a reforma da previdência eram
neoliberais de esquerda? Como diria Lula, do ponto de vista das reformas, a
esquerda é conservadora.
Isso é o oportunismo de que tanto falo. No
Brasil, não existe direita e esquerda. Existe ocasião de direita, ocasião de
esquerda, a depender do interesse a que me refiro.
Liberdade e castigo são à base de uma abordagem
liberal. Restrição à liberdade e castigo é à base de outro sistema, tão nosso
conhecido historicamente.
Veja o modelo tão em voga: no Estado liberal, o
cidadão compra sua arma e com ela defende sua propriedade, sua liberdade. No
modelo socialdemocrata, o Estado deve cuidar da segurança de todos, proibindo a
compra de armas. No limite do liberalismo, o Estado quase desaparece. No limite
do socialismo, desaparece o indivíduo, que só pode fazer o que o Estado
permite. É como transformar todos os cidadãos em servidores públicos.
Mas no Brasil, vamos além, não é mesmo?
permitimos a compra de armas (atualmente), mas desde que a pessoa fale “todes”.
Desde que ela comprove que possui “reconhecimento de firma” perante o Estado...
A mistura é gigante. Aqui, as pessoas não querem comprar armas, mas querem uma
guarita da PM à porta de sua casa.
“Aqui temos o Estado do Bem-Estar social só
para quem pode”.
E vejam que a direita e a esquerda é só no
discurso. A agenda liberal nunca foi implementada aqui. Houve arremedos e
apropriações indébitas, como foi o caso do Collor. Mário Covas havia tentado em
1989, com o tal “choque de capitalismo”.
Nem mesmo FHC implantou uma agenda liberal.
Quem dirá neoliberal. Lula governou com a mesma política econômica de FHC
(alguns ajustes aqui e acolá). Privatizou hidrelétricas e estradas (só em 2007
foram 6 rodovias privatizadas). Era um neoliberal então?
Franco Montoro dizia que precisávamos implantar
a “economia social de mercado” (seja lá o que for isso). Parece que Lula
apropriou-se adequadamente disso. Menen, na Argentina, dizia que criou a
economia popular de mercado...
Dê seta para a esquerda, vire à direita.
Com política nacional-desenvolvimentista
copiada de JK, somada à política socialdemocrata de FHC, o governo Lula
entronizou-se no Estado, discursando claramente de forma “esquerda”. Como
classificar isso? Socialdemocracia, socialismo, nacionalismo?
Bolsonaro entrou no governo com o
conhecidíssimo mote: romper com o status quo. Igual Collor, igual FHC, igual
Lula. Quem será a bola da vez em 2026?
No discurso, Bolsonaro é de direita. Na
prática? É de esquerda! Discursa que libera armas, libera não sei o que mais,
mas no dia-a-dia, intervém fortemente na economia e nos costumes, mostrando que
o velho modus operandi brasileiro
persiste ao longo do tempo.
Lula retornou ao poder, após conchavos
“político-togado”, tentando implantar o breviário petista “raiz”, previsto no
Estatuto do Partido dos Trabalhadores. Conseguirá?
“A depender do público, do espectador chamado
de “cidadão”, nadará de braçada”, pois somos totalmente passivos às
arbitrariedades e absurdos dos governantes, sejam eles quem forem. “Gritamos”
muito nas redes sociais, mas, na prática, somos
totalmente passivos, prontos para receber a próxima chicotada”
Aqui, todos (esquerda, direita, centro e
assemelhados) precisam do Estado para atender os interesses de suas clientelas,
que vai desde empregar amiguinhos até gastar dinheiro e investir onde se tem
votos, isso para não se falar de outras práticas. E ainda dizem que somos um
país liberal, neoliberal... Piada de mau gosto.
*Alan Galleazzo
Nenhum comentário:
Postar um comentário